O espelho estava preto
Manchado nas bordas de vermelho
Em meu reflexo mal pude me ver
Senti angústia ao ver meus olhos
Manchados de preto
Tão fundos como um buraco negro,
Tamanha foi a minha aflição!
Por mais que eu me esconda,
Por mais que eu fuja,
Algo sempre reluta em me puxar para baixo
Com um imenso magnetismo
Jamais me entregarei ás sombras!
Por mais que as vezes meu corpo diga sim,
E minha mente esteja cansada e aflita
Não desistirei...
Banhada em lágrimas
Envolta por um manto de trevas
Horror..Sublime horror...
Sinto meu coração apertado
O pranto é derramado na noite serena
Tudo que me resta é o silêncio
Andando por entre corredores vazios
Não consigo ver meu reflexo no espelho
Ele esta envelhecido
Com uma aparência rude e triste
Olhos fundos... Olhos amargurados...
Tudo o que me restou foram lembranças amargas,
Erros que me assombram
Seu retrato na gaveta da escrivaninha.
O espelho está preto,
Manchado nas bordas de vermelho
Mal posso ver a palidez de meu rosto
Sinto meu corpo morto
Algo em mim grita com medo
Meu coração está quebrado
Preciso...Ver...Preciso...Lutar...
Algo me puxa para baixo
Com força...Com fúria...
Tenho medo de não conseguir mais ver a luz!
Por mais que eu me esconda
Por mais que eu lute
Na noite fria ele sempre vem a minha procura
Com os seus olhos vermelhos...
Mistérios que ainda terei de entender
Sem deixar-me cair na lama
Sem deixar que a dor me sufoque
Lutando contra o tempo perdido
Fugindo do mal das trevas incandescentes
As vezes sangrando,
Aprendendo com as cicatrizes.
Limpando o espelho preto
Buscando incansavelmente
Algo que um dia,
Ainda terei de encontrar
Mesmo que o mal assombre minha alma
Jamais ira vencer a luz do meu coração
Por mais que ele esteja exausto e aflito!
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