Escorada no encosto da ponte de madeira,
O grande relógio badalava meia noite
Observei o concreto relutantemente,
De tão distante me pareceu atraente.
Fitei-o por alguns instantes enquanto mordia os lábios receosa,
Deslizei meus dedos por pequenos pregos que ali aviam
E acariciava a madeira fria, úmida pelo sereno da madrugada
O frio beijava meu rosto e eriçava meus pelos.
Minhas pernas ficaram tremulas,
Meus olhos castanhos se estremeciam
Enquanto aflitas lágrimas dali surgiam
Um pavor incabível me afunda o peito.
O ar esta pesado,
Sinto como se houvesse chumbo em meus pulmões
Mal consigo respirar...
Meu corpo se amolece e se contrai.
Hesitantemente mudei a direção do meu olhar,
Avistei no céu altivo uma luz de imenso fulgor
Ela brilhava cintilante freneticamente
Quase ao ponto de me consolar.
Segurei firmemente o encosto de madeira,
Enquanto escalava-o, joguei meu peso à frente
Em um suave solavanco passei para o outro lado,
Firmando os pés na madeira e segurando o encosto com as mãos.
Era como se o vento abraçasse meu espirito
Trépida voltei a observar o chão
Uma névoa envolveu meus olhos
Enfim soltei a madeira e inclinei meu corpo a frente.
O vento uivava em meus ouvidos o seu lamento
Meu corpo despencava constantemente rumo ao solo,
Em mente eu tinha a sensação de estar parada
O álgido vento dilacerava minha pele com suas garras invisíveis.
Ao sentir o cheiro do solo meu coração se tomou por arrependido,
A dor inexplicável do impacto contra o chão,
O som das minhas costelas se quebrando
E os meus pulmões se esmagando, meu coração se explodiu.
Imóvel permaneço como um reflexo vazio do inexistente,
Sinto o sangue escorrendo pela minha face
E ouço as gotas do sereno caindo sobre mim
Um ultimo suspiro dolorido, e já não logo existo!
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