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sábado, 24 de janeiro de 2015

Como um balão

Rouba minha solidão lentamente
Trazendo o fulgor do teu calor
Faz de mim um balão eufórico
Correndo pelo ar rumo às nuvens

Tão confusamente perfura meu ego
Fazendo com que me exploda em caos cognitivo
Qual foi o meu erro?
Já não sei quem sou...

Estranho o método de tortura
Ao qual usa de minha carência
Para se sentir superior aos semelhantes
Mata-me, mas não me quebre mais uma vez!

Em suas sublimes e macias mãos me tornei um fantoche
Filho promissor porém sombrio
Do qual sempre foi morto aos seus olhos
Que rasgavam músculo a músculo de minha dignidade

O que me resta se não fugir?
Qual meu erro?
Jamais me disse...

Apenas me jogou ao descaso.




“Arvores para você são apenas arvores, mas para mim são como poesia, então por que interrompe minhas frases, matando a minha alegria?”

...

Sinta o vento acariciando minha  face
Posso vê-lo se aproximando por trás da neblina, 
Ouço vozes na minha cabeça, porém estou sozinho, 
Quem era aquele que surgia pelas trevas,
Atravessando as paredes de minha consciência ...
Quem era aquele por quem minha pele ardia ao tocá-lo...
Mãos em carne viva, eu sinto seu fogo...
Pés enraizados na imundice...
Doce anjo petrificado aos pés da Catedral, qual é a tua chaga
Mostre-me as tuas feridas que eu as farei sangrar novamente...
Por quem delira? Qual é teu martírio?
Nas sombras cativo teus sonhos, o teu mundo eu domino...
Planeta pintado de piche....
Derrubando cada sensação como pilares...
Conduzindo-o através da noite....



Você

"Ao fitar teus olhos castanhos e sua pálida face
Sinto o sangue corar em meu rosto
Um sintoma que persiste em surgir
Inquieto não encontro conforto
É como se eu permanecesse morto
Até ouvir sua voz acariciando meus ouvidos."




Curto tempo




Envelhecendo a cada dia, 
Caminhando por entre os anos, rumo a fadiga... 
O que farei daqui alguns dias? 
Talvez tão pouco tenha mudado, 
Ou talvez já não seja a mesma... 
O que era legal se tornou tedioso, 
O que era inusitado se tornou obsoleto, 
O que irei deixar quando for embora? 
Talvez se lembrem desse aborto contido, 
Que se violou ao mundo e sorriu como um viciado. 
Ah flores, eu quero flores, 
Assim seu aroma me guiará a o outro lado. 
Ainda que tocando o meu rosto você me diz que ainda temos muito tempo pela frente, 
Porém nosso tempo é contado a cada respiração
O amor me preenche e me mata!


Você vive em mim

Esse é o instante em que eu olho para você e através do silêncio eu tento lhe fazer entender, que em mim você vive, e não conheço outra forma de existência sem ser a tua...
As palavras podem parecer triviais e ao teu lado de fato são inúteis, posso apenas me comunicar olhando teu rosto, suavemente toca-lo... E ver o quanto tem se tornado necessário em minha vida....
Você é a única forma que se movimenta dentro do meu silêncio, a única chama dentro do meu vazio....
Então venha... Não se petrifique ai, venha.... Não se faça quebrar... Acima do gelo vamos deslizar, desconhecendo barreiras ainda não conhecidas...

Com você os obstáculos parecem dominós, e os muros serão pisoteados como formigas...

Permaneça aqui... e se faça eterno!


A sombra


Me acolhe... me abriga do frio do esquecimento.. Minha sombra querida amiga de longas caminhadas...
Sombra da qual eu nunca me esqueço, mesmo quando na noite ela se mistura com a escuridão e as trevas a sugam....
Ela vem sutilmente com o dia... e tão sublime e as vezes voraz corre me perseguindo....

Oh... loucura... Oh sombra, vazia aflita ...
Receio que minhas pílulas de alegria já estejam se acabado...

Oh... indigno ser que vaga por debaixo dos meus pés... Porque não se levanta e caminha ao meu lado, sem se arrastar pelas paredes ásperas das ruelas feias da cidade cinza (és uma incógnita!)



Inesperado





“O inesperado, é sempre inesperado, se fosse esperado, seria previsto e tão fácil decifrado...” 


Frustração

Então para onde foi aquele cheiro?
Meu afável pranto voou por entre a nevoa e foi esquecido!
Arrumei a cama e desfiz as malas, finalmente estou em casa...
Ao olhar meu reflexo eu sei quem sou
Sem me perder nos meus pensamentos,
Eu apenas me deixo levar e chego aonde quero estar
Porém sublime nem sempre é a caminhada,
Nessa escura e assim nem sempre soturna estrada
Trago meu nome sem endereço, apenas caminho
Não julgo, não oculto, não minto...
Sou o que sou transparente e sorridente
Às vezes travo guerras em vão e caio
Mas às vezes derrubo meus próprios muros
Suave é o meu pranto de varias madrugadas
Doce é o sonho de liberdade
Por trás dos muros dessa cidade
Busco, insisto, luto, assim sou eu!
A imagem daquela que um dia morreu
Ouvindo vozes, canções do além
Vejo teu rosto e eu não sou ninguém
Vejo um humilde trovador, camponês
Correndo pela noite, voando alto
Sonhando com o dia que estará totalmente sóbrio...
Perdida não, apenas desacompanhada
Sozinha talvez, mas a lua me afaga
Estou buscando um fruto doce,
Talvez um dia eu o encontre e possa plantar seus grãos
Mas enquanto isso caminho em linhas tortas,
Descrevo minha frustração, assim derramo minha amargura
E vivo a vida, suavemente sem marcas nem selos
Apenas guardo meu nome sem endereço!



Se for para amar ame com todo seu folego, se for pra lutar lute com todas suas forças, se for pra viver viva CADA DIA COMO SE FOSSE O ULTIMO!




"Apenas mais uma noite, da qual me deito ébrio e de olhos fechados encaro a derrota de meu orgulho;
Durma agora e amanheça sozinho..."


Através

"Através do silêncio pude busca-lo, na ausência pude senti-lo, adentrei-me no tempo e pude toca-lo... E durante muito tempo vaguei sozinha.... Hoje posso tê-lo como companhia, e agora sinto o calor que outrora não sentia...”


"Através da noite posso senti-lo, através das sombras posso vê-lo se aproximando sorrateiramente, sinto o fogo dentro dele, sinto as chamas o corrompendo, parado diante do espelho negro, com seu casaco coberto de poeira, os pés sujos de lama, sua memória está embaçada pelo tempo, e tudo o que á sobre a mesa são retratos vazio, rostos sem sentido algum...”


sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

" Deixe fluir o som, a nota, o sentimento, a cantiga, apenas sinta o vento, sinta o frio acariciando seu corpo, e sinta o calor da minha mão ao segurar a tua"


Aquela vontade permanece aqui

Sabe aquela vontade, magnificamente tomada pelo fulgor...
Que toma conta do peito da gente...
Aquela vontade... que preenche o vazio que por tanto tempo existia...
Aquela vontade que bate forte e se torna desejo...
Sufoca a gente... nos faz calar
Aquele sentimento tão complementar a vida do ser humano e tão incabível por si só... que por poucos são vistos e muito mais,poucos tem a capacidade de sentir;
Aquela coisa que vem de repente, sem aviso, sem sinal...
Apenas vem impetuosamente e nos joga contra a parede
Nos fazendo lutar contra nós mesmos...
Aquela vontade ...
Aquela vontade...
De te dominar em meus braços...
para jamais te deixar se afastar deles...
Aquela vontade...
Que permanece e me faz pirar....
Aquela vontade de te selar com um beijo...
E te fazer calar...
Fazer sentir calor em pleno ártico...
Nadar no gelo fazendo-o derreter
Aquela vontade de sentir,
Viver contigo aqui...
Consciente contigo apenas
Aquela vontade...
De te seguir e te derrubar,
Pra do seu lado ...
Permanecer paralisada
Eu roubarei seus pensamentos, seus sentimentos, e os farei meus...
Roubarei seus desejos...
E os tornarei meus...
Acenderei tua chama...
E não descansarei....

Não desistirei...
Quando eu acordar desse sonho e estiver fraca e cansada demais para caminhar, espero que além da nebulosidade dos meus amargos pensamentos eu possa lhe encontrar, e assim em teus braços me afugentar....


Teu sorriso

" Sinto o fulgor dos teus beijos calando minhas palavras semi formadas que ainda ei de terminar....
Sinto seu calor nesse frio parados entre folhas secas caídas no chão
Seus braços envoltos do meu corpo, meus dedos frios acariciando seu rosto pálido...
E sinto você... aqui....
Como se sua presença se mantivesse aqui, intacta ao meu lado;
Como se jamais tivera saído do seu aninho
Coisa linda de se ver.... sorrisos entrelaçados e alavancando novos sorrisos...
Dos quais eu não quero esquecer....
Sorriso pausado e lento
Afundado na minha memoria"


Desejo

“Extraído o sangue daquela rosa
Manipulado pelos anjos mortos
Embalado pela imortalidade”

“Matando para recuperar seu sorriso
Sangrando para você viver
E apenas meu jeito de crescer”

“Onde passa a exaustão
Queima de leve meu coração
Até tomar em cinzas

O que um dia foi só seu”

Por: Fernando de Paula


MORTE MAL MATADA


Pense, olhe, fale
Voe, se eleve, se acalme
Sinta a felicidade infeliz
Pois a vida é feita disso
Ultrapasse todos, atropele todos, ria no final
Pois a morte é feita disso
Mate por mim, morra por mim
Sangre aqui, me faça companhia
Se o mundo é feito disso
Pelo menos sangremos juntos
Compartilhe seus desejos
Pois os meus já são seus
Pode crescer ao meu lado
Pois ao seu lado sou imortal
Matarei por você
Nem que eu tenha que por um fim,
Por a minha imortalidade a você
Porque sem tua presença
Mato pra não morrer.

 Por: Fernando de Paula



O SONHO DE UMA ARVORE


Finalmente você me viu
Sem você, não sou ninguém,
Por sua causa sevei tudo
A sangue agora estou seca
As feridas se fecharam
Andarei por cidades brilhantes
Caminharei com anjos celestes
Porém te observando
Daquela nuvem branca azulada
Me de uma cauta branca
Que te dou um bravalho,
Me de um doce afeto
Nem que seja amargo...
Por você renascerei...
Por você me levantarei...
Pois o horizonte, o por do sol,
Agora é meu
Amarei você até quando todos os anjos caírem
Amarei você hoje, agora... amanhã...
Você vi hoje
Eu choro ontem
Vimos hoje

Morreremos amanhã....

Por: Fernando de Paula


Teus olhos

"Quero toma-lo em meus braços, desacelerar o tempo para que assim possamos ali permanecer, por entre os jardins do hoje, e eternos nos de amanhã....

Tocar teu rosto como se fosse o ultima coisa que veria em toda minha vida... sentir teu gosto como se não houvesse mais paladar....

Ouvir sua voz em silencio profundo, sentir teu cheiro a milhas abaixo do mar....
-Ah seus olhos....

Seus lindo olhos, que me cercam...
Que me alucinam... esses olhos....
Quero deitar-me em meu jazigo eterno, fitando-os... até meu ultimo suspiro....

A cada instante, lhe dar meu calor, como se fosse nosso ultimo dia... como se não houvesse mais dia...
Nos perdendo entre o tempo e espaço..."



A sombra


Atenção para o sussurro da vida,
No começo um soluço contraio-me a garganta
E logo eu estava aconchegado em um abraço

Sorri perfeitamente com todas as imperfeições do mundo
Sofri escoriações e arranhões
Levei pequenos tombos até saber permanecer de pé

Com fome chorava, e logo era amparada
Talvez com dor ou sono novamente chorava,
Amparada logo seria...

Os dias voaram e só me restaram lembranças
Teria eu perdido o dom de viver?
Forjando uma mascara fria sobre meu rosto?

Sinto-me impelida por um desejo contraditório
Entre o outrora feliz e doce
E a atual depressiva amargura

Tendo maturidade e consciência plena
Sou infeliz... Pudera eu voltar no tempo de criança?
Quando um simples formigueiro era motivo de alegria;

Pudera eu recuperar a dadiva de sorrir?
Não! Não um sorriso plastificado
Com o ego retorcido em lástimas.

Gritar toda a dor...
Transpirar a repulsão
Contorcer o orgulho...

Em um mundo onde todos usam máscaras
Onde todos são seres humanos robóticos e independentes
A sombra de uma sombra...


Eterna manhã

 E entre as pedras ali nasceu, entre aquele áspero e tão triste solo nasceu esplendorosa, tão formosa flor, de tão gritante fulgor, que sua luz é cintilante, sua cor escarlate cega os olhos de quem passa, e teu cheiro enlouquece o até o mais santo homem.... Andei por diversos jardins, mas nunca vi tão formosa flor, creio que ela me hipnotizou, me tocou com sua essência, e tão graciosa flor, tumultua a vida da gente... Oh... doce flor... Que agoniza e é tão impulsiva... Pudera eu dormir com seu doce perfume e me esquecer de minhas dores e minha sede compulsiva de querer-te tão viva! Como poder cultivar tão sublime beleza de tão rara flor? Pudera eu manter-te eterna tão perto do meu toque, tão próxima do meu olhar...


Reflexões de um coração partido...

Talvez em sonho pudera ver a cor dos seus olhos claros como a primavera florida... Hoje noite adentro me embriago em lembranças que me assombram, um erro que cometi como qualquer outro ser humano, um erro humano talvez, ou não sou tão humana assim? 
Sinto frio e ainda vivo vagando pelas ruas escuras em uma vida surda vazia, pudera eu, explodir toda essa amargura do âmago do meu ser para o dia, onde a vida brilha em um arco iris-cinza. Pudera acordar agora e esquecer tudo isso, pudera sentir seus cabelos entre meus dedos, sentir o teu calor amado senhor, pudera eu sentir teu cheiro doce e ouvir sua voz furtiva. 
Quero poder rasgar as cortinas deixar um novo ar fluir em meu quarto, um ar sem cheiro de velas, sem cheiro de sangue, sem cheiro de vinho...  Um novo ar sem a umidade das minhas lágrimas em busca de refugio. Meus lençóis estão frios e sujos de tinta, folhas estão jogadas pelo chão, fotos estão sobre a mesa, as malas estão arrumadas, as gavetas do meu interior estão vazias e minha alma chora, eis a minha indagação, para onde fugir, quando o buraco negro esta dentro de mim mesma? Eis que sinto a dor de algo ilusório, como um filme ou uma historia em quadrinhos, mais um romance bobo de novela... Pudera ser apenas algo fútil, mas eis que sinto, eis que vivi, eis que senti seu abraço, senti seu corpo no meu, senti seus lábios carnudos e a vida que ali continham, eu quero sentir você novamente! Acabou?
 Sem drama, seguro-me firmemente, não cairei na lama, "será que ele já virou a esquina?" a queda é mais funda e talvez ainda eu me machuque um pouco mais, creio receber alguns pontos, mas e o meu coração aonde fica nessa trama? Aonde deveria sempre ter ficado, ora essa não sabes que não vale a pena sofrer por amor garota? 
Ah...  gentil consciência, creio que você é muito querida, porém nunca se entrega não é? Sempre indagando, nessa sua introspecção objetiva... mas aonde ficou a verdade e a mentira? Me aponte aonde esta que eu vou correndo tentar juntar os cacos e descobrir aonde errei! 
Eis que noite adentro, perco-me em meus pensamentos, já é quase dia, e aquele rapaz voltará a ligar novamente, com novas mentiras, ah dolorosa hipocrisia! O mundo é um moinho cheio de pessoas que são como aranhas, criando teias de mentiras fervorosas como um câncer... Um dia me disseram que a mentira é doce demais, quando se engana se ganha pontos no ego por ter enganado, então o vicio é imediato.
Já é dia, os pássaros estão cantando, sinto o vento balançando as cortinas, vejo os respingos do sereno nas folhas da mangueira no meu quintal, penso aonde descansa o meu sono, se ele descansa minha cabeça também deveria descansar, meu corpo esta pedindo para dormir, mas minhas cabeça insiste em me fazer pensar. É engraçado como tudo acontece comigo, as vezes me sinto uma louca me perdendo dentro do meu próprio raciocínio, vejo a vida como um pintor vê a tela da qual criará seu orgulho ou criará seu desprezo, alguns despejam sua frustração em forma de arte.


Garota cinza incerta


Cai a chuva sobre meu corpo quente...
Não tenho para onde voltar...
Escrevi um livro com seu rosto estampado
Em cada linha, desespero e mentiras
Tingidas de preto e cinza...
Talvez eu esteja mesmo perdida,
Caminhando nas inquietas ruas vazias da cidade fria.
Carregando minhas memórias e uma bolsa marrom
Acendo um cigarro sujando o de batom
Me matando trago após trago
Não sei para onde ir...
Tomei o vinho dos malditos
Aquele que se faz de paixão, desilusão e absinto,
Acrescentando um pouco de magoa sepultada no peito dos vencidos...
É um veneno divino aos aflitos!
Ah! Aquele beijo extremo,
Infeliz tapa no meu espírito!
Nas mãos, seca-me os olhos
Apenas carne e prazer
Onde está a fala doce?
Apenas vejo o sorriso rígido de quem não sorri
Em um olhar egoísta, insólito, vazio e cinza
O futuro é incerto
Porém as estações sempre seguem seu curso
O ciclo continua sem medo...
- Por que você é a flor que insiste em viver como um botão?
Oh! Linda garota do vestido azul
Saia das sombras que a menosprezam, permita-se viver!
Viva um dia e esqueça os outros dias,

Apenas este dia, sem medo, sorria!

Espere por mim


Sutilmente pude extrair o sangue daquela rosa
Manipulado pelo desejo dos anjos mortos
Embalsamei-me na eternidade
Em um êxtase sombrio e soturno
Busquei teu corpo na noite eterna
Sangrei no cálice da amargura
Pendurando-me entre os dois mundos
Apenas para sentir tua presença por alguns miseráveis segundos
E preencher meu coração com as lembranças do teu sorriso
A nevoa a esculpiu como um doce anjo
Porem a engoliu como um condenado as trevas
Queima meu peito, rasga meu espírito
Pensar que já não está mais ao meu lado
Tornou-se cinzas em um retrato borrado
Jurei-te a eternidade em meus braços...
Mas você se foi minha vida...
Pude ver teus olhos se fecharem...
Espere por mim... antes de cruzar o portão...



Indagação




Envelhecendo a cada dia caminho por entre os anos
Rumo à temerosa fadiga...
O que farei daqui alguns dias ou anos?
Talvez tão pouco tenha mudado,
Ou talvez já não seja a mesma que tenha conhecido.

O que um dia foi divertido se tornou tedioso,
O que era inusitado se tornou obsoleto,
O que irei deixar quando for embora?
Talvez se lembrem desse aborto contido,
Que se violou ao mundo e sorriu como um viciado.

Ah flores, eu quero flores,
Com diversas nuances estonteantes
Assim seu aroma talvez possa me conduzir a um novo caminho
Com espinhos ou não continuarei prosseguindo
Mantendo a calma, mantendo o ciclo.

Ainda que com o passar do tempo me recordo
De você tocando o meu rosto docemente,
Ao me dizer que ainda temos muito tempo pela frente
Mas mal sabia que se enganava,
Pois nosso tempo de vida é contado a cada respiração.

O teu amor é um remédio ao meu corpo,
Mas também um maldito veneno
Iludindo-me com sua fala doce,
Preenche-me e me mata

Dia após dia!


Inconsciente


Estava ali sentada petrificada sentindo frio
O vento soprava respingos de água no meu rosto
Não importava o quanto eu tentava me mexer não me movia
Apenas olhava as pedras do rio e a água correndo entre elas
Tudo o que me restava era o som da água correndo
Seguida do vento balançando as copas das árvores
Me sentia morta, apesar de algo dentro de mim estar gritando
Desventurados eram meus pensamentos que se afogavam no silencio
Já o dia se despedira e as estrelas iam emergindo no céu soturno
Continuo ali embriagada na minha lamentação
Minha alma brincava de pular as pedras do rio,
Enquanto meu corpo perecia imóvel
Os meus pés descalços tocaram a superfície da água
Novamente o vento soprava mas dessa vez era hora de ir
Alcançando a lucidez depois de meu longo devaneio
Terei agora de caminhar milhas até me encontrar
Senti assim a vida preenchendo-me 
Massacrando a dor e imortalizando a esperança
De que novos dias nasceram e os meus dias ruins se vão
Jazendo assim em um cemitério de lembranças
Unidas e esquecidas entre punhados de terra preta

Caminhando por entre as profundezas do esquecimento!


Linhas incertas

Observando as linhas do teu sublime rosto delicado
Percebo a fragilidade de teu espírito
Pesado o ar que respiraste em vida
Tão denso a comprimir teus pulmões
Com a negritude imunda da vivencia cotidiana do ser humano
 Vagando com sua causa infundada
Carrega o visco da maré desgastada
Junto ao lume púrpuro da noite arrebatada
Sorri com os olhos mesmo desprezada
Abrindo os braços na agonia recatada
 Moldando-se em uma utopia aderente no ar
Visando ser o retrato do que almejam que ela seja
Deixando sua personalidade ser consumida
Conformando-se com sua nova vida
-Quem sou eu se não um espectro sem nome?
 A agonia de ser um peixe nadando contra a maré é incabível
Desordem emocional que trás angustia
Calçando os sapatos da sociedade
Mesma lama, mesma poeira
Pertencendo a mesma corja invisível
 Mergulhando sua face entre as mãos ela chora
Com seus lábios inchados e rosados ela soluça
Um erro, fruto do desespero
Uma cria, maldita ilusão rastejante
Veneno entorpecente cativante
 Adormece em luto com sua melancolia
Desperta em desespero...



 

É passageiro


 Nada me mantém imutável
Não possuo um nome
Marca ou endereço
Permaneço sem pregos,
Faixas ou panfletos...
 Sou um rosto translucido adjacente
Presente no teu suco, no teu vinho
Transparente e inodor
Como o líquido que escorre dos teus olhos cegos.
 Permita-me tocá-lo?
Posso trazer-te à realidade,
Abra teus braços para receber-me
Sou o som, o riso, o fluído do teu corpo.
 Eu sou à sombra da vela,
Sou a cena da novela,
Sou o medo do escuro,
Sou o tecido que cobre o teu corpo.
 A mentira caminha rapidamente,
Mas não esta impune,
Basta arregalar os olhos e ver
O que esta evidente.
 Sem mascaras, sem ídolos
Apenas edifícios e estruturas
Sinta o caos, a língua dupla
O frio abraça o teu espírito.
 Veja o que se tornou,
A raiva arranha o teu estomago
E o teu ego nunca se satisfaz,
Ter... Querer... Ser...
 Apenas bens de consumo esgotáveis,
Peças novas no armário,
Amuletos, anéis, um novo cabelo
Nova carne no mercado dos vermes famintos. 



Devaneio


O sol já nascera, os pássaros estão a cantarolarObservo as folhas na copa das árvoresSinto o orvalho acariciando o meu rostoAlém do som dos pássaros eu ouso o vento tocando as flores como violinosSinto-me livre, lançarei vôoEm um suave pensamento. As pessoas caminham pelas ruasTão tortuosamente pálidas e soturnasQue por um instante fico confusaTudo está claro, é dia!Mas para onde fugiu a alegria?De todas essas caras vazias? Respiro a fumaça que exala dos carrosTranspiro toda a minha euforia juvenilO verde purifica meus olhos perdidosMas onde encontrarei a calma de minha vida?Tudo cresce e floresce, seca e padeceAs horas se passam, enfim escurece!  
 

Meu amor


Passam as estações e as pessoas se vãoE eu te quero desde aquele instanteNaquela tarde ensolarada com os minutos contadosQue um beijo a carne viva foi trocadoDesejo por desejo, empate um a um!Pálpebras tremulas e nervosasBuscaram calor no escuroE meu coração acelerou e se apaixonouSentindo o volume dos seus cabelos entre os meus dedos-Ah... Gostaria de parar o tempo naquele instante!Escondi os olhos de constrangimentoPorém logo assisti um largo sorriso coberto de ternuraAh... Meu beijo extremo, meu prêmio, meu castigo!O teu sabor é tão vivo! 



O cigano


 Sentada no meio fio da calçada observo,
Carros indo e vindo com seu barulho irritativo.
Observo também as pessoas pelas calçadas,
Indo e vindo tão distantes mal sentem o vento a lhes tocar a face.
 Rostos opacos sem saturação alguma,
Me parecem automatizados a circular.
Montados em sua arrogância e superioridade
Caminham sem poder me ver.
 Enfim levanto-me com minha mochila,
Limpo minhas calças poídas e sujas de areia do asfalto.
Caminho rumo à noite eterna a me abraçar
Não sei exatamente a onde vou chegar.
 Planos, rotas, mapas, historias...
Rostos, adornos, memórias...
Ainda tenho muito para ver
Compreendo bem a relevância.
 Mas para seguir um ciclo satisfatório de aprendizado
Sinto, vejo e toco tudo a minha volta
E sempre o farei...
Eterno cigano por assim dizer.