Sua voz ecoa no quarto escuro,
Um sussurro afável e sedutor
Será que já faz tanto tempo assim?
-Já me falha a memória...
Entorpecida na nebulosa solidão,
Enlouqueço na frialdade dos meus lençóis
Observando o quarto preenchido por estampas vermelhas,
No canto da parede eu posso ver,
Alguns respingos escarlates enegrecidos
Cuja outrora seu corpo se debatia.
Contigo o riso pairava pelo ar até altas horas,
Mas hoje apenas o que me restam são memórias
Distorcidas pelo tempo, pelo amargo veneno dos dias
Envelheço arraigada de fronte ao espelho preto
- Oh fria terra, que me satura de cobiça!
Quero a ti a todos os dias e noites acinzentadas
Apenas a ti, desde que Hellen se foi para o teu aninho.
Entre o húmus, me livrarei do pesar e das memórias
E a ti serei fiel, amada terra, faz de mim teu alimento.
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