Semeando os grãos da solidão
A chuva molha a terra seca
Onde ali crescem meus frutos
Onde ali deixei cair meus grãos...
Minhas lágrimas de desespero
Correm em busca de salvação
Sinta o vento, sinta a chuva
Sinta o meu coração...
As minhas asas estão cansadas
Sem forças para cruzar o céu
Até onde eu devo ir flutuando?
-Cada vez mais alto rumo a luz...
No Jardim do silêncio,
Eu colho meus grãos de amargura
Onde deixei minhas lágrimas ásperas e aflitas repousarem
Molhando assim meus grãos...
Estou dormindo em frente ao espelho d'água
Tão fragilmente repouso sobre uma cânfora vazia
Por que não posso alcançar o céu?
Por que não sou como a lua que tudo encobre?
O pássaro é livre na prisão do ar
O espírito é livre na prisão do corpo
O sol se põe... Deixando a penumbra cobrir os céus
A lua derrama seu lamento...
Assim eu repouso no Jardim do silêncio
Colhendo minhas flores frias
Colhendo meus frutos podres
Entorpecida pelo vazio..
Sou tão livre como os peixes no oceano,
Pairando de um lado para o outro
Em uma prisão de água, sem ter como fugir
De um destino afogado e úmido
Por que não sou como as nuvens?
Por que minhas asas estão cansadas?
Quero poder mergulhar pela noite...
Quero poder me despedir do meu Jardim...

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