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domingo, 29 de março de 2015

A pavorosa criatura

Sentada no meu sofá negro com as almofadas vermelhas,
Relaxo lendo um livro
Repentinamente me sobe um arrepio na espinha
Era meados de Novembro e o frio já se revelava.
Levanto-me calmamente e sigo rumo ao corredor,
Acendo a luz e sigo rumo ao quarto
Abro a gaveta da cômoda e retiro um pequeno cobertor,
Levanto-o ao ar desdobrando-o,  envolvo-o sobre meus ombros
Caminho de volta para a sala apagando a luz do corredor.
Sento-me no sofá de lado, esticando as pernas sobre o encosto,
Pego o livro nas mãos e abro-o de onde parei
As horas vão saltando do relógio ao lado do vazo de flores,
em cima da mesinha no canto da sala.
Começo a perder o controle sobre os meus olhos,
Eles vão pendendo-se devagar,
Numa imensa ânsia de fechar-se
Tudo a minha frente é um borrão
E a negritude da inconsciência veda-me o espirito!
                                                    {Voei... voei... em meio os pássaros eu voei...
Eis que de repente em um salto eu volto à mim
Um ruído perturbante ecoa acima de mim,
É como um ranger de dentes,
A criatura caminha inquieta arranhando o forro,
Rangendo em fúria seus grotescos dentes
Me parece que vai cair sobre mim,
Alimentando-se de minha carne!
Que horror! Que pavoroso ser és?
Seria um odioso rato?
Ou um pequeno guaxinim?
Tenho medo de tentar descobrir,
A leitura logo me parece desinteressante
Melhor ir para o quarto repousar-me
Caminho atordoada rumo ao quarto
Por garantia eu fecho a porta
-Imagina tal criatura sobre mim a roer-me os olhos?
Apenas ao imaginar o odor de seus pelos fico desorientada
Puxo os cobertores e me adentro na segurança de meu templo
Eis que me fortaleço embaixo desse escudo de algodão!
Meu coração vai sossegando-se instantaneamente
E logo uma nevoa angelical me cobre os olhos
Vou mergulhando nesse mundo só meu,
Cujos caminhos sou eu quem crio!
                                            {Ah... o rio... vou me aproximando... do sereno rio...
Eis que subitamente as garras demonicas se arrastam acima de mim,
Rangendo seus grotescos dentes
Meu coração disparado grita
- Que infernal criatura me tira o sossego?
Oh céus e agora o que fazer?
A minha imaginação lhe transformara em um monstro,
Sedento de sangue, tripas e nervos...
Inquieta me levanto, abro o armário e pego um par de botas,
Sento-me a beira da cama e calço-os,
Levanto-me abro uma das gavetas da comoda e pego um casaco,
Caminho até a porta do quarto abrindo-a,
Sigo rumo a lavanderia em busca de uma escada,
Não encontro a maldita escada!
Sigo rumo à garagem, e lá esta ela deitada no chão,
Um ferro vermelho envelhecido pela chuva e coberto de ferrugem...
Ergo-a e arrasto-a até a portinhola do meu magnifico sótão,
Ou melhor dizendo, meu universo do caos!
Um lugar cujo o mundo se perde e vira poeira,
Dentro de um lugar tão grande e ao mesmo tempo tão pequeno!
Escalo os degraus da escada e escancaro a portinhola
- Mas que diabos, e agora?
Puxo a corda da luminária pendurada sobre a minha cabeça,
subitamente um corredor de luzes se acendem
Meu coração me salta o peito...
Mas nada vejo, apenas entulhos e mais entulhos!
Aliviada apago a luz e fecho a portinhola, que estala um gemido cadavérico
Desço calmamente a escada, e volto para dentro de casa...
- Ai que gelo!
Retiro as botas e jogo ao chão da entrada,
Sigo rumo ao quarto no escuro e deito-me na cama.
Afundo-me nas cobertas, como em um mar de espuma
Calmamente me despeço das cortinas, das paredes roxas,
Até meus olhos perderem o foco em um borrão!
[- Ai que lindas flores, que perfume, o que é isso? hãmmmm...
- Que maldito cheiro é esse?
Desperto-me em um pulo algo passeia sobre mim,
Levanto-me desorientada e acendo a luz do quarto,
o desgraçado sumiu na treva do corredor!
- Mas que diabos, só pode estar brincando!?
Sigo rumo a sala, acendendo todas as luzes possíveis e impossíveis a minha volta
Olho em todos os cantos, embaixo do tapete, do sofá, em cima dos armários,
Mas encontro apenas o vazio!
-Seria um pesadelo? Um delírio?
Novamente... volto para cama, mas agora com a luz acesa...
- Eu preciso dormir!
Me jogo embaixo dos cobertores e tento me aconchegar neles
Me acalmar com o calor, buscar a segurança que eles sempre me fornecem...
Minhas pálpebras vão se tornando pesadas pouco a pouco,
Me perco novamente em meio ao meu santuário de algodão!
-GRRRRRRRRRRRRRRRR! NHAC! NHAC! GRRRRRRRRRRR!
- Oh céus o maldito esta sobre a minha cabeça novamente!
Obstinada, levanto-me em um pulo desengonçado, corro para a entrada da casa,
calço minhas botas, olho à minha volta em busca de uma arma de extermínio...
- A vassoura!!!
Corro até à escada e ofegante escalo seus degraus,
Rudemente escancaro a portinhola e subitamente o diabo me salta a face,
Em um gesto afoito, solto a vassoura e com as mãos tento tirar aquele ser de minha face...
A escada começa a sacolejar, com o meu movimento e meus pés se escorregam,
quando me dou conta estou face a face com o piso frio da garagem,
Não consigo me mover... E o sangue escorre fugaz por meus orifícios da face...
Em um suspiro e nada mais!


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