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sexta-feira, 13 de março de 2015

Quem hesita fica no quase

Ainda pior que a convicção do não,
Ou a incerteza do talvez,
É a desilusão de um quase.
É o quase que me incomoda,
Que me entristece,
Que me mata trazendo tudo
Que poderia ter sido e não foi,
Pelo simples medo de arriscar!
Quem quase ganhou ainda joga,
Quem quase passou ainda estuda,
Quem quase amou não amou.
Basta pensar nas oportunidades
Que escaparam pelos dedos,
Nas chances que se perdem por medo,
Nas ideias que nunca sairão do papel
Por essa maldita mania de viver no outono,
E nunca deixar que enfim chegue a primavera!
Pergunto-me, às vezes,
O que nos leva a escolher uma vida morna.
A resposta eu sei de cor,
Está estampada na distância
E na frieza dos sorrisos,
Na frouxidão dos abraços
Na indiferença dos "bom dia"
Quase que sussurrados.
Sobra covardia e falta coragem
Até para ser feliz!
A paixão queima,
O amor enlouquece,
O desejo trai.
Talvez esses fossem bons motivos
Para decidir entre a alegria e a dor.
Mas não são!
Se a virtude estivesse mesmo no meio-termo,
O mar não teria ondas,
Os dias seriam nublados
E o arco-iris seria em tons de cinza.
O nada não ilumina,
Não inspira,
Não aflige nem acalma,
Que cada um traz dentro de si.
Preferir a derrota prévia,
Á dúvida da vitória
É desperdiçar a oportunidade de merecer.
Para os erros há perdão,
Para os fracassos, outras chances,
Para os amores impossíveis, tempo
De nada adianta cercar um coração vazio,
Ou economizar alma.
Um romance cujo fim,
É instantâneo ou indolor não é romance!
Não deixe que a saudade sufoque,
Que a rotina acomode,
Que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e acredite em você.
Gaste mais horas realizando que sonhando...
Fazendo que planejando...
Vivendo que esperando...
Porque, embora quem quase morreu esteja vivo,
Que quase vive já morreu!


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