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sexta-feira, 13 de março de 2015

Devaneio

Abre teus olhos
Saia de tua lápide sombria
Com tuas pregas de pano mortuário
Saia desse véu de chumbo
Deixe-me lhe desamordaçar
Para que assim eu possa beijar teus lábios frios.
Ouvia teus lamentos em meus sonhos
Sentia teu pranto sobre meu corpo
Perdia-me em solidão com meus sentimentos
Não me faça recordar
Da igreja fechada para o funeral
Inundada por um odor de rosas,
Com um morcego se debatendo nos vitrais
Fazendo ruídos horríveis
Aos quais me enlouqueço só de pensar.
Pudera eu imaginar tudo isso
Como um frágil devaneio
Nas asas da mentira
Rente as lápides subindo com cautela
-Bem sabia que não estava morta!
Mas agora vendo o crepúsculo na imensidão
Sobrepondo a penumbra da noite
Lágrimas cheias de pavor,
Escorrem por minha face pálida e rígida como gesso.
Meu coração disparado grita
Para que volte com rapidez
De tua cripta solitária
Desfazendo-se deste teu sudário tenebroso...
Pois aqui esta o teu amor que te espera!
Sentado na gruta a soluçar...
Orquestrando o cântico fúnebre das almas penadas
Espantando os filhos de teus filhos
Retirando o lamento que te assombrava!
Eu sou aquele que tu buscavas,
E estou a lhe esperar...
Venha para os meus braços,
Para enfim descansar!



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