Deixada ao esmo no áspero chão
Uma lembrança envelhecida na memória
Como as cinzas do meu cigarro.
Não sei o que bebi,
Mas desceu rasgando minha garganta
E por um instante esteve a sufocar-me
Amargo era o seu gosto...
Nas sombras eu me ergo da sarjeta
Arrumo meu cabelo cheio de folhas secas,
Bato as mãos nas calças e deixo a lama cair
Endireito meu corpo e caminho.
A noite apresenta a sua performance mistica.
As sombras dançam alegoricamente
E o vento sussurra sua loucura,
Junto as copas das árvores.
Deixe-me esquecer...
Caminhar em liberdade
Do vermelho e do negro,
E do branco profundo...
Encolho-me do lado de uma árvore colossal,
Então o beijo da lâmina fria corrói os meus pulsos,
Cravando-se em nervos e veias
O vermelho quente vai surgindo e começa a gotejar
Calmas são as gotas no chão,
Cavando um buraco na terraEnquanto meu corpo vai se tornando débil
Deslizando rumo ao chão.
Um pequeno risco se faz em minhas retinas,
Meus pés vão se arroxeando,
Eu sinto frio...
A quietude é um tormento...
Nada grita tão alto que o próprio silêncio,
Negro e vazio ele me consome
Me enfraquece, me derruba na lama
- Faça barulho!
Estou entorpecido pela negritude da noite
E o branco profundo corrompe minha cabeça
Já não consigo ver...
- Estou petrificada!

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