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terça-feira, 17 de março de 2015

A dama

A nebulosidade ameaçadora
Urde amplas teias de carvões sombrios
Extraordinariamente atordoadora;

A planetária escuridão se anexa
Brilhando com um fulgor sinistro
Dentro da treva omnimoda e complexa;

Passa a dama atordoada
Com sua veste desgrenhada
E o seu cabelo revolto em desalinho;

Em seu assombroso passado
Houve um drama de amor misterioso
O mistério da dor que a traz penada;

Sim! Não ter um coração profundo
É ter os olhos fechados para o mundo,
Ficar inútil nos amargos trilhos;

Essa angústia de amar a crucifica,
Chorando e contemplando o céu altivo
Da convulsão do teu soluço aflito!


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