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domingo, 8 de março de 2015

De repente

De repente, não mais que de repente
Fez-se de trise o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

De repente, não mais que de repente
Fez-se do amigo próximo o mais distante
Fez-se da vida uma aventura errante.

De repente, não mais que de repente
Fez-se da lira bela um verso em pranto
Fez-se do coração um baú vazio.

De repente, não mais que de repente
Fez-se da bruma doce uma adaga ensanguentada
Fez-se de um simples toque laminas de cetim.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de uma simples lágrima, um êxtase de sentimentalismo
Fez-se de palavras amargas, pedras e lanças ardilosas.

De repente, não mais que de repente
Fez-se do amor um inimigo inquieto
Fez se da dor um martírio eterno.

De repente, não mais que de repente...


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