Não me venha dizer palavras mudas,
Com teus olhos aflitos...
Não, agora não!
Estava tudo tão calmo e belo,
Nos dois sentados na lareira...
Alma que se abre, agonizando sozinha em sua lápide...
Escute minha voz no silêncio,
Procure pelo meu corpo na escuridão
Corra até mim e arranque minha aflição!
Sou a donzela mascarada que derrama seu pranto,
Embalada na noite eterna,
Pelos caminhos vazios e tortuosos de tua alma...
Que me enganei... Ora vejo...
Nadam-te os olhos em pranto,
Arfa teu peito e no entanto,
Nem por um instante qualquer
Pode me encarar...
Estou fitando teus olhos aflitos e chorosos,
Em busca de respostas para a dor que jaz em meu peito!
Por que parte meu coração com tanta ternura?
Estou sendo levada por ventos e delírios,
Lágrimas entrelaçadas à agonia de não encontrar meu predestino...
Olhe meus olhos mortos,
Descubra a magoa que se esconde atrás deles
Veja a lágrima atrás de cada sorriso...
Não me venha com teu olhar sedutor,
Nem com beijos vazios e toque áspero...
A vida é uma grande libertinagem e a morte uma obsessão!
Fure ou torça...
Quebre ou magoe...
Faça doer... Faça sangrar...
Grite nos meus ouvidos a sua desgraça...
Acerte ou erre a escolha é sua!
Eu posso mante o seu segredo dentro de mim...
E jogar a chave fora...
Basta você confiar em mim!
Abra meus olhos...
Gostaria de ver tua face mórbida apenas por mais um instante...
Permanecendo em silêncio absoluto...
O gozar de uma alegria infinitiva
Antigos hábitos nunca são libertados...
Sempre permanecem como cicatrizes em minha alma...
Que um dia podem se abrir e sangrar...
Apenas mármore fria...
Gesso mórbido...
Nada com vida... Basta tocar...
Sente algum suspiro?
Então cale-se... Não me julgue pela minha revolta...
Eu não sou a blasfêmia que tu buscas!
Sempre que os olhos se fecham,
O pesadelo acaba...
Toque minha alma...
Faça-me acreditar em tuas palavras absurdas,
Pois um dia não estarei mais ao teu lado,
E tudo que restará de mim,
Serão apenas lembranças de meu pranto sobre teus ombros,
E cinzas sepulcrais em um vaso de flores...
"Quando as flores vão caindo pela estrada desta vida,
Nós também vamos sentindo o final desta partida..."
Cavando minha própria sepultura...
Dia após dia...
Sem nunca parar...
A cada grão de terra arrastados...
São como navalhas rasgando minhas mãos...
Estou em busca de algo inusitado!
Essas são as configurações de uma mente doentia.
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