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sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Garota cinza incerta


Cai a chuva sobre meu corpo quente...
Não tenho para onde voltar...
Escrevi um livro com seu rosto estampado
Em cada linha, desespero e mentiras
Tingidas de preto e cinza...
Talvez eu esteja mesmo perdida,
Caminhando nas inquietas ruas vazias da cidade fria.
Carregando minhas memórias e uma bolsa marrom
Acendo um cigarro sujando o de batom
Me matando trago após trago
Não sei para onde ir...
Tomei o vinho dos malditos
Aquele que se faz de paixão, desilusão e absinto,
Acrescentando um pouco de magoa sepultada no peito dos vencidos...
É um veneno divino aos aflitos!
Ah! Aquele beijo extremo,
Infeliz tapa no meu espírito!
Nas mãos, seca-me os olhos
Apenas carne e prazer
Onde está a fala doce?
Apenas vejo o sorriso rígido de quem não sorri
Em um olhar egoísta, insólito, vazio e cinza
O futuro é incerto
Porém as estações sempre seguem seu curso
O ciclo continua sem medo...
- Por que você é a flor que insiste em viver como um botão?
Oh! Linda garota do vestido azul
Saia das sombras que a menosprezam, permita-se viver!
Viva um dia e esqueça os outros dias,

Apenas este dia, sem medo, sorria!

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