Estou caminhando, mas não me vejo sair do lugar,
Quero sorrir, mas minha musculatura está anestesiada
Quero falar, mas minha voz está abafada.
Meu coração foi trancado a sete chaves,
Em algum porão escuro e úmido,
E minha alma se perdeu na multidão.
Estou sem ação,
Engolindo minhas palavras...
Elas descem pela minha garganta como facas afiadas.
Olhe o nada em que me tornei,
Sou apenas o visco preso em uma pedra,
Na beira de um oceano de saudades.
Não consigo dormir,
Pois a cada sonho que tenho
Vejo as sombras me perseguirem.
Não consigo comer,
Pois a comida parece serragem em minha boca,
E nenhum vinho satisfaz minha sede.
Meu corpo está frio,
Minha pele é dura como o gesso,
Mal consigo sentir os respingos da chuva no meu rosto.
Não estou entre os vivos...
Pois isso não posso morrer,
Mas não estou entre os mortos...
Sou como um seixo de praia,
Vivendo a busca no cristal das ondas,
De um objetivo para viver.

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