Sua pele se desfazia como a cera da vela,
Escorregando pouco a pouco milimetro por milimetro
Enfim assim como o pavio quando se apaga,
A luz dentro dela se extinguiu.
Sem dor ou magoa ela desapareceu,
Tudo foi engolido a seco com a saliva de sua boca
Em alguns minutos seu estomago se exibiu,
Como um triturador de comprimidos.
Já havia algum tempo que Aurora se perdeu,
Não na enfurecida cidade grande,
Ou em alguma rua escura e triste
Ela se perdeu dentro de sua própria essência.
Fantasiando com fantasmas do seu passado,
Sempre a sua espreita entreolhando-se
Vozes estridentes gritando em um eco constante
Nas profundezas do seu subconsciente.
Já não lhe importava se era dia ou se era noite
Ela repudiava as horas, e até o seu próprio cheiro
Escorada contra a parede descascada,
Como uma boneca de pano inanimada.
Uma entrometida mosca lhe veio roubar a solidão
E logo milhões de vermes lhe corroíam a face
Desfazendo-se da carne como um ácido impiedoso
O carpete foi encharcado por um liquido asqueroso.
Horrendo odor mortuoso,
Violou as janelas e as portas
E apenas assim alguns vizinhos notaram sua ausência
Já se foi a pobre Aurora....
Nenhum comentário:
Postar um comentário