Mais uma vez me arrasto daquela pocilga cheia de ratos,
Endiabrado quase que a rastejar-me pelas ruas
Escuras e lamacentas da Avenida Rei Barbosa
Observo as mulheres da vida nas esquinas,
oferecendo-se por meio tostão furado
Como em um açougue humano
- Por obsequio, quanto está um quilo de sobrecoxa?
Belíssimas especies vivas na vitrine dos dias,
acinzentados pela neblina da cidade.
O asco me sobe o peito corroendo-me a garganta;
Fluindo-me pela boca a fora,
um espumante liquido pastoso e azedo
Em arrotos e soluços me escoro na parede
-Mas um copo, ai que arrependimento!
Minha cabeça gira e meu estomago queima
A terra treme e tudo a minha volta gira
- Estou no inferno?!
Ainda não me dou por vencido,
Passada a ânsia endireito-me o corpo,
e continuo arrastando-me pé por pé.
Em um desanimo atordoante
-Bebi do sangue do próprio Diabo, só pode!
Avisto completamente embaçada pela embriagues,
Minha pequena casa de portão azul
- Só mais alguns passos Benedito!
Apalpo-me os bolsos em busca das chaves,
Enquanto avisto pequenos roedores passeando pelos ladrilhos do esgoto
Abro o portão em um só solavanco,
Aproximo da rede e ali me atiro pesadamente,
Abraçando o sono alcoólico!
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