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segunda-feira, 11 de maio de 2015

A garota encharcada

Lá estava ela sentada desmotivada com as pernas cruzadas, seus sapatos sujos de lama e a barra da calça ainda molhada pela chuva e também com respingos de lama. Seus cabelos embaraçados e desalinhados com algumas madeixas caídas contornado seu rosto cabisbaixo, a maquiagem de seus olhos escorrera fazendo um borrão abaixo de seus olhos, e suas mãos frágeis se encontravam geladas e úmidas segurando uma pasta negra, esse era o seu reflexo diante o espelho da entrada do prédio. Esta era Anelise, uma garota qualquer, mas não como todas as outras, por assim dizer ela era diferente, em seu aspecto mental, talvez melhor dizendo intelectual, ela fazias planos mas não tinha persuasão o suficiente para concretiza-los e tropeçava sempre nos obstáculos a sua volta.
Naquele dia, enquanto a chuva fria caia, ela se levantou e saiu, sem dar satisfação a secretaria que permanecia distraída agarrada ao telefone com algum cliente, deixou o entrevistador a espera, sem se preocupar com a vaga que talvez poderia ser sua. -O emprego nem era tão bom assim- Caminhando pela calçada correndo de toldo em toldo, cobertura por cobertura, fugindo dos respingos da chuva, ela observava os carros passando jorrando água, as pessoas correndo atordoadas, e imaginava um formigueiro em movimento.- A diferença é que as formigas presentem o aguaceiro - dobrou a esquina e acabaram-se as coberturas, só lhe resta agora andar na chuva.
Apertando o passo chegou a estação de ônibus, tremendo de frio com as suas roupas encharcadas e com os lábios arroxeados, ela observou o letreiro digital, eram duas e quarenta e cinco da tarde, ela havia gastado cerca de dez minutos para chegar a estação, o que normalmente lhe custaria uns vinte minutos de caminhada. Se aproximou de uma pilastra para olhar um folheto colado, ao que constava todos os horários de chegada e saída dos ônibus da estação, de acordo com o folheto ela deveria permanecer ali trepidando em pé durante uma hora, a mesma que talvez gastaria para chegar em casa. Impulsiva decidiu caminhar, porque pelo menos se aqueceria andando até chegar em casa, mesmo que já estava encharcada e essa situação não mudaria, desceu o terminal central que era um ladeirão quase que tropeçando de tanta pressa. - Muito frio. muito frio- ela pensava.
Por onde ela caminhava, as pessoas entreolhavam-se consternadas, abrigadas nas portas das lojas - Seria ela uma louca ensopada? - ela apenas continuava sua caminhada ofegante, ignorando os olhares, assim como as palavras obscenas que à ela eram referidas, pelos homens que passavam de carro. Suas roupas pingavam como as folhas das árvores a sua volta, e ela se acalmava com a ideia de que à poucas quadras dali um banho quente e um cobertor a esperava, tão contentes em vê-la como ela de revê-los.







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