Um reflexo invade a sala pela fresta da cortina,
Já haviam se passado alguns dias que ali eu permanecia
Encolhida entre as almofadas e algumas caixas
Naquele comodo já não restava muita coisa
A ausência de moveis e objetos já fazia minha voz criar eco.
Estico meu braço dolorido apalpando a minha calça,
encontro em meu maço de cigarros apenas um,
para então afugentar minha amargura
Mas tão desafortunada estava que o meu isqueiro apenas soltava faíscas.
Levantei-me então e busquei ao redor algo para produzir tal chama,
Andei pelos cômodos da minha mórbida casa,
Os meus passos produziam eco...
Plac... Plac.. Plac... Ressoavam descontentes...
Já não havia fogão, armários, ou gavetas, apenas algumas caixas,
jogadas ao acaso por entre a passagem.
Enraivecida amacei o cigarro e joguei ao chão,
Busquei as chaves apalpando os bolsos
Não as encontrava, foi então que voltei a sala
Arregalando os olhos observei as almofadas,
Peguei as caixas que naquele comodo repousavam
Empilhei uma encima da outra,
E então novamente o reflexo brilhava,
Mas dessa vez reluzindo o molho de chaves no chão.
Peguei as chaves, abri a porta lentamente,
Me dando de costas para o jardim dei mais uma olhada
Agora já é hora de partir!
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